Memórias de lona e ouro: o rastro Cigano em Luziânia
Inspirado nas recordações de Arley da Cruz Quem viveu a Luziânia de outros tempos guarda na retina certas cores que o progresso cinzento da cidade não consegue apagar. Para mim, essas cores têm o tom das lonas que se erguiam próximas à Praça Gelmires Reis no ano de 1989. Chamávamos de "os ciganos". Para a imaginação de um menino, a chegada daquele acampamento era como a abertura de um portal para um mundo paralelo. Havia ali um contraste fascinante. Sob as tendas coloridas e improvisadas, pulsava uma infraestrutura que desafiava o nosso conceito de nomadismo: carros excelentes, caminhonetes imponentes estacionadas na terra batida. As mulheres desfilavam com suas saias fartas e ricas em movimento, uma profusão de tecidos que pareciam dançar mesmo quando elas estavam paradas. Os homens, por sua vez, vestiam-se como heróis de faroeste — chapéus bem postados, camisas alinhadas, botas e um lenço indomável amarrado ao pescoço. E, quando sorriam, o sol faiscava em seus dentes de o...
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